Mulheres Independentes...finalmente!
Se por acaso tivesse tido a oportunidade de perguntar às minhas avós, materna ou paterna, o que era para elas uma mulher independe, quase aposto que a resposta seria: «Olha filha, essas são umas galdérias!» Ah pois é, como os tempos mudam, hoje são os pais que dizem às filhas: «Estuda, para arranjares um bom emprego e seres independente» - ai se as minhas avós ouvissem! - hoje, o sonho de qualquer mulher é ser independente. Independente profissionalmente, independente do marido, independente dos pais, enfim, independente de tudo e de todos...até sexualmente, algumas mulheres, preferem recorrer aos tão falados "massajadores faciais" do que pensarem sequer em estar dependentes dos "apetites" de alguém e, consequentemente, são também cada vez mais as que optam por "produções independentes", ou seja, escolhem um "gajinho" com bom aspecto, que aparente alguma higine e cuidado com a sua imagem, e com uma troca de olhares, e de odores, numa noite produzem "independentemente" um filho(a). Fantástico, não é?...Aliás, a ideia fascina-me tanto que, quando for grande, quero ser uma mulher independente!...
Bem...de repente percebi que já sou grande...logo, já deveria ser uma mulher independente, mas não sou! Aliás sou tudo menos independente, mas, aqui para nós, ainda bem!
Desde cedo percebi que isso de ser uma mulher independente iria exigir de mim o que nunca poderia dar, porque eu gosto muito de ser dependente.
-Dependente dos mimos e carinhos dos meus pais, presentemente da minha querida mãe - pena eu ser tão grande e pesada e ela já mais fraca, porque senão sentava-me ao colo dela a ver televisão;
-Dependente do feitio terrível da minha filha que amo muito - agora tenho mais uma dependência, a do meu Martim;
-Dependente dos meus patrões - foram de férias e fiquei sozinha no escritório...e, sim, tive saudades deles, ao contrário do que diz o ditado, não houve dia santo na loja, com os patrões fora;
-Dependente do tabaco - que massacre tive hoje ao jantar a esse propósito, confesso que já me começa a enervar e a dar uma vontade ainda maior de fumar, apenas por me sentir uma espécie em vias de extinção, qual panda vermelho num zoo...até ouvi a tão famosa «beijar uma mulher que fuma?!? que horror... isso é beijar um cinzeiro!» Poupem-me, de certeza que têm carro e não metem uma rolha no escape, pois não? Ou então vão passar o fim de semana ao algarve e vão de bicicleta ou de carroça? (bem, isto do tabaco dará pano para mangas e ficará para um próximo post)
-Dependente dos amigos - Não consigo sequer pensar como seria se não os tivesse sempre por aí à mão de semear;
-Dependente de um companheiro - quiseram as circunstâncias da vida que virasse independente neste campo, já lá diz o ditado: «Mais vale só...», mas continuo a achar que não nasci para viver sozinha...custa-me imenso que não queiras juntar as nossas (in)dependências ;-)
Isto tudo para dizer que "essa coisa" da independência é um bocadinho perigosa, principalmente nas mulheres - os grandes alicerces de uma sociedade - pois, por se estar a entrar num desejo exacerbado de o ser, cada vez mais vivemos afastados uns dos outros, num contínuo desespero de nos tornarmos independentes, quando na realidade dependemos, e dependeremos sempre, emocionalmente uns dos outros.
A independência, na minha humilde opinião, deve ser algo que nos deixa livres no viver, mas totalmente ocupados no amar.
P.S. - O meu dia é exactamente igual ao vosso, tem 24 horas, mas o meu amanhã é infinito ;-) Até Amanhã!


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