11 de agosto de 2006

O "pré-férias"...


Há uns anos quando trabalhava nas Viagens abreu - empresa de renome e bem mais velha que eu - tinha uma colega de nome Eugénia - uma mulher fantástica - que na altura em que eu começava a contagem decrescente para as férias, me dizia:
- Esta rapariga é tramada...não aproveites bem o tempo de espera, não, porque quando elas começam rapidamente acabam! O melhor das férias é o tempo em que ansiamos por elas...
Claro que eu respondia sempre, sem entender mto bem o que ela me queria dizer:
- Credo! Eugénia, assim até parecem mais curtas!

Passados uns bons anos, como eu entendo o que a minha Eugénia queria dizer.
O tempo, cada vez mais mal organizado, passa cada vez mais depressa, então se pensarmos em como ele passa a correr entre o verão e o Natal, pior ainda.

É neste espírito que continuo a fazer as minhas famosas contagens decrescentes, que me dão uma "pica" danada, mas sempre com o pensamento no dia que estou a viver.
Com uma vontade muito grande de nada fazer e desejosa por "enfiar os bagulhos no saco e zarpar" - como referi a uma amiga há pouco - lá vou aproveitando a espera.

Aliás, se pensarmos bem, tudo o que se refere à felicidade acontece rápido demais e o que dá mais sabor é o tempo de "preparação para...". Por exemplo:

-Preparar o dia do casamento, tarefa cansativa, mas que ajuda a fechar um ciclo e a iniciar outro muito mais intenso e exigente. Quem não lembra a noite anterior ao dia do grande acontecimento?

- A gravidez, o tempo em que se fica gorda, inchada e disforme, em que nos queixamos do calor, do frio, da roupa a apertar, dos pés inchados, é o tempo em que nos sentimos preenchidas e realizadas e em que os nossos bebés estão protegidos dos "perigos" exteriores, respiramos por eles, alimentamo-nos por eles. Depois de nascerem começa a ansiedade e a preocupação que só terminam no dia em que Deus quiser a nossa presença junto d'Ele e mesmo assim...não sei, não.

- As licenciaturas e afins - que por impulso e falta de força de vontade nunca fiz - diz quem as completou, que no último ano se vive a ansiedade do primeiro emprego e a sensação de que a partir dali, se está por nossa conta e risco - desminta quem achar que não -.

- O amor e o respectivo primeiro beijo, enquanto não acontece vivemos na espera e na esperança de como será e onde será. Depois de acontecer, os restantes já não nos tiram noites de sono.

Em conclusão, o momento em que se espera, activa em nós substâncias - talvez adrenalina e seus derivados - que nos fazem perder o sono, nos dão uma vontade "tramada" de fazer e pensar nada. Ora sorrimos, ora suspiramos, ora... o que sei é que com isto do pré-férias, descobri que, em relação ao que nos dá prazer, satisfação, alegrias e realizações, o tempo em que esperamos que aconteçam ajuda-nos a viver sensações únicas. Assim sendo, só resta mesmo sabermos aproveitar e viver essa contagem decrescente como se o dia a seguir tivesse 48 horas para podermos "digerir" muito bem cada passo e "curtir a espera".

Boas Férias a quem vai de férias, bom trabalho a quem não vai e boa espera a quem, como eu, espera por elas.

1 comentário:

edunileo disse...

ADOREI esta tua descrição.Boas Férias!