30 de abril de 2007

Encontramo-nos já no final da semana do Bom Pastor, por este facto não gostaria de a deixar passar sem fazer alguma referência.

Nos dias de Hoje, e na Igreja de Hoje, os leigos têm, também, uma grande influência na condução dos Homens até ao Reino do Pastor Supremo, Jesus Cristo. Assim, deixo para nossa reflexão algumas palavras de Bento XVI, numa das suas homilias dirigidas a ordenandos.
E perguntam vocês: Mas e se o sacerdócio não for a minha vocação? Não vale a pena ler?
Claro que vale! Como leigos activos, empenhados e dinamizadores de comunidades temos muito a aprender com o que é dirigido aos sacerdotes... não que os queiramos substituir vocacionalmente mas porque actualmente, em virtude das circunstâncias, os leigos assumem cada vez mais responsabilidades e passam mais tempo de partilha uns com os outros do que com os Párocos, principalmente em comunidades grandes.
A este propósito aproveito para dizer: Abençoados sejam todos os que entre o corre corre da vida, da família, do trabalho, das angústias e medos, das tristezas e sofrimentos, dedicando dias de folga e férias, horas de sono e repouso, ainda encontram tempo para servir a Deus através do seu testemunho e presença.


«Jesus é o Bom Pastor, em quem o próprio Deus cuida da sua criatura, conduzindo-o à verdadeira pastagem.»

"(...) «Eu sou a porta» (Jo 10, 7). É através dele que se deve entrar no serviço de pastor. Jesus põe em evidência de maneira muita clara esta condição fundamental, afirmando: «Quem... sobe por outro lado, é um ladrão e salteador» (Jo 10, 1). Esta palavra, «sobe», anabainei em grego, evoca a imagem de alguém que escala um recinto para ir, ultrapassando, aonde legitimamente não poderia chegar. «Subir» aqui pode-se ver também a imagem do carreirismo, da tentativa de chegar «ao alto», de procurar uma posição por meio da Igreja: servir-se, não servir.
É a imagem do homem que, (...),quer tornar-se importante, ser uma personagem; a imagem daquele que tem em vista a sua própria exaltação e não o humilde serviço a Jesus Cristo. No entanto, a única subida legítima rumo ao ministério do pastor é a cruz. Esta é a autêntica ascese, esta é a verdadeira porta. Não desejar tornar-se pessoalmente alguém mas, ao contrário, servir o outro, servir Cristo e, assim, através dele e com Ele, colocar-se à disposição dos homens que Ele procura, que Ele quer conduzir pelo caminho da vida. (...) mesmo que este venha a entrar em oposição com os meus desejos de auto-realização e estima. (...) para que através de nós o próprio Cristo apascente. (...)
« o pastor dá a vida pelas suas ovelhas.» (...)
A vida não se entrega somente no momento da morte, e nem apenas na forma do martírio. Nós devemos doá-la no dia-a-dia. É necessário que eu aprenda diariamente que não possuo a minha vida para mim mesmo. Devo aprender dia após dia a abandonar-me a mim mesmo; a pôr-me à disposição para aquilo que Ele, o Senhor, precisar de mim no momento, mesmo que outras coisas me pareçam mais bonitas e mais importantes. Entregar a vida, não tomá-la. É precisamente assim que vivemos a experiência da liberdade. A liberdade de nós próprios, a vastidão do ser. É exactamente assim, no facto de sermos úteis, de sermos pessoas das quais o mundo tem necessidade, que a nossa vida se torna importante e bela. (...)
«Eu... conheço as minhas ovelhas, e as minhas ovelhas conhecem-me, assim como o Pai me conhece e Eu conheço o Pai» (Jo 10, 14-15).
(...)quando numa pessoa ressoa uma outra voz, a voz do Criador, do Pai, abre-se a porta da relação que o homem aguarda. Por conseguinte, assim deve ser portanto no nosso caso. Em primeiro lugar, no nosso íntimo, devemos viver a relação com Cristo e através dele com o Pai; somente então podemos compreender autenticamente os homens, somente à luz de Deus é possível compreender a profundidade do homem. Assim, quem nos ouve dá-se conta de que não falamos de nós mesmos, mas de algo, do verdadeiro Pastor. Obviamente, nas palavras de Jesus está também encerrada toda a tarefa pastoral prática de seguir os homens, de ir ao seu encontro, de se abrir às suas necessidades e às suas exigências. Sem dúvida, é fundamental o conhecimento prático e concreto das pessoas que me são confiadas e obviamente é importante compreender este «conhecer» os outros em sentido bíblico: não existe um verdadeiro conhecimento sem amor, sem uma relação interior, sem uma profunda aceitação do outro. O pastor não pode contentar-se com o conhecimento de nomes e de datas. O seu conhecer as ovelhas deve ser sempre também um conhecer com o coração. Todavia, em última análise isto só pode realizar-se se o Senhor abrir o nosso coração; somente se o nosso conhecimento não vincular as pessoas ao nosso pequeno «eu» particular, ao nosso próprio coração mas, ao contrário, fazer-lhes sentir o Coração de Jesus, (...)
«Tenho ainda outras, que não são deste redil... hão-de ouvir a minha voz; e haverá um só rebanho e um só pastor» (Jo 10, 16).
(...) sobressai acima de tudo o horizonte universal do agir de Jesus. (...) A Igreja jamais deve contentar-se com a plêiade daqueles que, num dado momento, ela alcançou e dizer que os outros estão bem assim(...). A Igreja não pode retirar-se comodamente nos limites do seu ambiente. Ela tem a responsabilidade da solicitude universal, deve preocupar-se por todos e com todos. De modo geral, devemos «traduzir» esta grande tarefa nas nossas respectivas missões.
(...)A Igreja antiga encontrou na escultura do seu tempo a figura do pastor que carrega uma ovelha nos próprios ombros. Talvez estas imagens façam parte do sonho idílico da vida campestre que tinha fascinado a sociedade dessa época. No entanto, para os cristãos esta figura tornava-se com toda a naturalidade a imagem daquele que se encaminhou para buscar a ovelha tresmalhada: a humanidade; a imagem daquele que nos acompanha nos nossos desertos e nas nossas confusões; a imagem daquele que tomou sobre os seus ombros a ovelha perdida, que é a humanidade, e a leva para casa. Ela tornou-se a imagem do verdadeiro Pastor, Jesus Cristo. (...)"
Bento XVI, Vaticano, 7 de Maio de 2006

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