Férias à beira mar, com alguns degraus e rampas íngremes pelo meio!
Para uma amante do mar e do sol não poderia haver melhor, acordar e deitar com o mar bem à minha frente e adormecer ao som do bater das ondas nas rochas e com a lua a dar o seu contributo para uma paisagem brilhante, espelhada, ideal para cenário de um livro de romance. Misturavam-se os cheiros das algas, da vegetação tipicamente algarvia e do mar, adoro cheiros que me lembrem bons momentos, boas conversas, bons silêncios, boas gargalhadas e boas lágrimas…tudo isto com cães, gatos e galinhas à mistura.Há alturas na vida de um ser humano comum, frágil, mortal, em que o descanso, o repouso, o “fazer nada” se tornam absolutamente necessários, se o podermos fazer em boa companhia então ainda melhor!
Gosto de “gente” bem disposta, divertida, conversadora e, graças a Deus, tenho o privilégio de ter amigos assim, o que ajuda a preencher o imenso espaço que os corações têm para acolher “gente” e proporcionar férias sempre em boa companhia desde que me lembro de mim como pessoa.
À semelhança da passagem de ano, as férias representam sempre momento para balanço, para renovação de energia e para viragem de páginas menos interessantes ou descontinuadas – é mais ou menos uma avaliação intercalar - e este não foi ano de excepção. De energias renovadas, de balanço alinhavado e com um espírito muito mais arejado pelo ar do mar, cá estou de volta à civilização urbana, onde tudo continua igual, acho que apenas mudou o meu tom de pele que passou de amarelo esverdeado e olheirento, a dourado sardento com uns tracinhos esbranquiçados assinalando as minhas magnificas rugas de expressão. Os edifícios continuam imóveis e as pessoas continuam os seus afazeres rotineiros, a casa lá está, igual, com a amada família lá dentro e bem de saúde graças a Deus. Os problemas continuam a ser os mesmos mas a renovação fez com que pareçam mais fáceis de ultrapassar, alguns até parecem ter desaparecido e continuo sem fumar, quem diria, fui capaz!
Os planos ganham maior viabilidade e os objectivos tornam-se mais claros e concretos... abençoadas férias na praia que levam “fantasmas” enrolados nas ondas do mar e trazem novas de outro hemisfério. Observar a natureza, e o seu ritmo muito próprio, ajuda a clarificar “cabeças”, este é o momento de descontinuar páginas que não fazem sentido, é inútil semear numa rocha, é impossível plantar flores no meio da pedra. Abrir mão de sentimentos, deixar ir os "ses", é muitas vezes a melhor solução para ser mais forte - quantos menos forem os pontos fracos menos penetrável é a fortaleza - decidi seguir OceanoMar dentro, sem amarras a nenhum navio e tu, tu ficaste no porto de abrigo, já não me acompanhaste, fiz "sozinha" a viagem de regresso a casa... Gosto mesmo muito de férias à beira mar, dificultam a despedida mas devolvem "liberdade"!

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